aquele amanhecer ainda lhe pertence.a escada. o muro.naquele lugar o vento ainda tem o toque dele. lá no fundo, colado à mais discreta das núvens, junto à mais explicíta das luas, está o nome. o nome dele. e o problema dos problemas é que cá fora não se vêem os sorrisos. não se sente a presença. no momento em que ela e ele viraram as costas, o seu mundo, o mundo dela, perdeu, de repente, todo o sentido.
ela e ele às duas da manhã. ela e ele às três. ela e ele às quatro. coimbra em silêncio. ela e ele nunca em silêncio. e há momentos que deviam durar uma eternidade. não duram.
ela não chegou a perceber o que ele receava e todas as frases que lhe ocorreram a esse respeito acabaram por não fazer muito sentido. aliás, quando o passado e o presente se encontram há apenas, e muitas vezes e só, um aprofundar de mal-entendidos. entretanto, ela repete as sílabas do nome dele que começam a ficar estranhas.
silêncio.
não há palavras que os salvem do silêncio, da ausência. por vezes, é difícil dizer adeus.